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O
Blues é eterno
Por
Anselmo
Prada
Minha referência no Blues é B.B.King.
Talvez por ser um dos mais populares, se não
o mais conhecido blueseiro do mundo. Foi ouvindo B.B.King
e buscando sua história que aprendi um pouco
sobre a orgiem do Blues e a íntima ligação
com a raça e sentimento dos negros. Mas esta
história já é muito conhecida e
hoje o Blues flutua com ares de tempos modernos e evoluído,
como não poderia deixar de ser. Gosto muito da
denominação BLUESEIRO para caracterizar
estes fantásticos artistas de voz e instrumentos,
que de uma forma muito singular, difundem, propagam
e reinventam o Blues.
Minha experiência mais marcante no contato com
o Blues foi durante uma viagem a Nova York, mais ou
menos há quatro anos. Uma amiga e jornalista
catarinense, Rita Matrins, moradora de Nova York durante
dez anos, me convidou para beber um drink no final da
tarde, num bar do Village e depois para uma incansável
matarona de boas caminhadas pelas ruas da grande massa.
Ela não me contou, mas estava me colocando dentro
de um dos mais tradicionais bares de blues de Nova York.
E do final da tarde até madrugada, quanta diversão.
No começo, o bar estava repleto de jovens ouvindo
jovens blueseiros, muito novos mesmo, quase adolescentes.
Por volta de nove da noite, o público mudou completamente
e lá estavam adultos bebendo e ouvindo blues
de músicos mais velhos e experientes. E assim
a noite foi passando, quando percebi que no palco estavam
senhores bluseiros de muita idade e ao redor deles o
público que bebia e ouvia Blues há muito
tempo. Como turista, compreendi logo o que se passava,
ou seja, aquela música estava presente em todas
as gerações. Não bastasse, chega
ao palco uma dama, vestida de vermelho, muito enfeitada
e lá por volta dos seus 70 anos. Elegante pegou
o microfone e começou a cantar. Pensei que estava
sonhando, pois ouvia ao vivo o som do cinema e dos documentários
que retratam os clubes de bares de Blues novaiorquinos.
Era tempo de floração das tulipas em Nova
York e não tive dúvida: saí na
chuva e fui comprar tulipas para aquela voz negra e
respeitável. Voltei no final da apresentação,
levei tulipas até aquela mulher e falei em Português,
que estava emocionado e queria homenageá-la pela
linda voz e pelo Blues que cantava. Como uma nobre artista,
ela me olhou e agradeceu. Me deu um beijo e disse que
há tempo não recebia flores. Voltou ao
palco e me dedicou a próxima música, um
Blues sofrido e que falava da esperança no amor.
Bebi e agradeci à minha amiga por uma noite tão
digna. Ela me olhou e disse: "agradeça ao
Blues hoje, porque amanhã você pode se
emocionar com o Rock." Tudo está na minha
memória, e assim vai permancer.
Bom, história contada, quero dizer que o Clube
do Blues de Florianópolis é muito bem-vindo.
Um site pra divulgar o Blues é uma conquista
da cidade e que merece toda a atenção
dos blueseiros e apreciadores, que também podem
se encontrar pelas páginas da Internet. Afinal,
tudo evolui e o Blues é eterno...
Anselmo
Prada, jornalista e coordenador geral de produção
da RBS TV em Santa Catarina há 20 anos e idealizador
do Egotrip Bazar.
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