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Solon Fishbone

Solon Fishbone - O Blues que saiu do frio

Aclamado como o último guitarrista a acrescentar um novo feeling ao blues, Stevie Ray Vaughan certamente não imaginaria que sua influëncia marcaria o surgimento de um dos bluesmen mais comentados do país, que agora começa lentamente sua carreira internacional. Solon Fishbone, com sua banda, Los Cobras, chegou ao terceiro disco, Blues Galore, soando não apenas um pastiche do nervoso texano, mas um músico com técnica e qualidades próprias, adquiridas ao longo de uma carreira que teve seu embrião em 1992. Nesta entrevista, o guitarrista gaúcho de 34 anos fala sobre esta evolução, planos futuros e o show que marcará a estréia dos eventos promovidos pelo Clube do Blues, dia 13 de dezembro, no Café Cancun, em Florianópolis.

Clube do Blues- Em junho deste ano você teve a oportunidade de tocar em Dallas (Texas). Como foi esta experiência e a receptividade do público norte-americano para um bluesman brasileiro?

Solon Fishbone- Foi muito positiva. Fiz duas apresentações ao lado de Chris Ruest, que é bastante conhecido na cena texana. Além disso, também participei de diversas jam sessions em bares locais, já que permaneci 13 dias na cidade. Quanto ao público, a recepção foi incrível, uma vez que eles não imaginavam que o blues é tocado no Brasil com tanta intensidade.

Clube do Blues- Em termos de produção e influências, como você definiria sua evolução nos três discos?

Solon Fishbone- Foi realmente uma evolução. O primeiro, Blues From Southlands (Paradoxx/1994), foi feito com uma certa urgência, já que era a primeira gravação oficial de uma banda que tocava há mais de dois anos. Não foi dispensado um grande cuidado com a produção, pois queria apenas registrar aquele momento. Mas foi este disco que fez Solon Fishbone y Los Cobras serem conhecidos. Por causa dele fomos convidados para vários festivais e participamos do programa do Jô Soares, que nos deu uma ótima visibilidade. Com Heart & Soul (Paradoxx/1996), busquei uma sonoridade mais própria, saindo um pouco da praia do Stevie Ray Vaughan e buscando inspiração nos músicos que definiram o blues na primeira metade do século XX. Em Blues Galore (Antídoto/1999), creio que adquiri finalmente minha linguagem dentro do blues, incorporando outras influências como o rock e o soul.

Clube do Blues- Como foi trabalhar com Charles Gavin (Titãs) e Alex Olsson na produção de Heart & Soul e Blues Galore?

Solon Fishbone- Conheci o Charles em São Paulo e ele ficou bastante empolgado com meu primeiro disco. Antes de começar a trabalhar em Heart & Soul, ele me procurou disposto a produzi-lo, o que trouxe um grande som para o álbum. É um músico que gosta realmente de blues e fiquei muito surpreso ao saber que ele também tem alguns discos obscuros de minha coleção. Em Blues Galore tive o prazer de ter ao meu lado o Alex, que é engenheiro de som e trabalhou recentemente ao lado de Eddie Kramer na recuperação das faixas do disco BBC Sessions, de Jimi Hendrix.

Clube do Blues- Depois de encontrar esta identidade, qual será o futuro de Solon Fishbone y Los Cobras?

Solon Fishbone- Meu próximo projeto será um disco ao vivo, que ainda não está gravado, mas deve ser lançado em 2002. Antes disso, vou fazer shows onde puder. Um deles será no evento de estréia do Clube do Blues, em dezembro, em Floripa.

Equipamento de palco

Simples como deve ser para a execução do bom blues, o arsenal de Solon Fishbone conta com preciosidades que fazem qualquer guitarrista babar. Ele utiliza no palco três guitarras: duas Fender Stratocaster, fabricadas em 1963 e 1964, e uma Fender Jaguar produzida em 1962. Seu amplificador é um Fender Pro Reverb feito em 1969 e o único efeito do set é um pedal Ibanez Tube Screamer, acionado nos solos.

 

 

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